“Empreender no Brasil é um ato de fé.”
Ouvi essa frase há alguns meses, em uma palestra do David Mariano, da Estilo Próprio, e desde então ela não saiu da minha cabeça. Não só pela força das palavras, mas pela coerência com a história dele: alguém que, com fé e visão, conseguiu tirar negócios do papel, crescer e recomeçar quantas vezes fosse preciso.
Quando penso nesse “ato de fé”, lembro imediatamente da fé simples e profunda que vejo nos freis. Aquela fé que confia mesmo sem ter todas as respostas, que acredita que o pão de amanhã vai chegar, ainda que hoje a prateleira pareça vazia.
A foto que acompanha essa coluna é dos freis da Fraternidade O Caminho, aqui em Cascavel. Tive a alegria de produzir alguns materiais com eles na época da faculdade, e desde então levo comigo uma admiração sincera pelo jeito como vivem, servem e confiam.
Porque, de certa forma, empreender por aqui é isso:
Você acorda, arruma a casa, organiza as contas, cuida da equipe, responde mensagens, atende clientes, toma decisões difíceis… e, lá no fundo, sustenta a crença silenciosa de que novas oportunidades vão bater à porta. Mesmo sem garantia nenhuma.
Planejamento é indispensável, claro. Mas quem está na linha de frente sabe: há uma parte do jogo que foge completamente do nosso controle. E é justamente nesse ponto cego que a fé entra.
Fé não como uma espera passiva, mas como aquela postura de quem faz o que precisa ser feito, com excelência e responsabilidade, e confia que o movimento certo vai gerar o resultado certo, no tempo certo.
Estou nessa caminhada empresarial há 6 anos
à frente da minha agência de marketing. Nesse trajeto, busco inspiração em histórias de quem começou pequeno, errou, acertou, insistiu — e construiu algo grande com propósito claro.
Flávio Augusto, por exemplo, fundou a WiseUp com uma visão muito específica de mercado e usou o marketing como uma alavanca poderosa de crescimento. Vendeu a empresa, recomprou, escalou de novo. Isso não é sorte. É entender o jogo, se posicionar e não perder de vista o porquê de tudo.
Outro caso é o da Chilli Beans, criação do inquieto e carismático Caito Maia. Começou vendendo óculos na Galeria do Rock, contando histórias com uma autenticidade que nenhuma campanha de “publicidade engessada” conseguiria copiar. Hoje, é uma marca internacional.
A Natura segue a mesma linha: nasceu nos fundos de uma pequena loja, com uma proposta diferente de relação com beleza e natureza, e virou referência global. Não foi um salto. Foi construção diária, com propósito, cultura forte e decisões consistentes.
O que une todas essas histórias?
Visão, gestão e fé.
Fé para começar quando ninguém está olhando.
Fé para ajustar a rota quando algo não sai como planejado.
Fé para continuar quando o caixa aperta e os números insistem em não fechar.
Na minha rotina, já vivi os dois extremos: meses em que os resultados vinham com fluidez e, confesso, parecia que tudo conspirava a favor; e outros em que a dúvida batia forte.
Caixa apertado.
Telefone silencioso.
Planilha que não fechava de jeito nenhum.
Nesses momentos, o que me sustentou foi justamente aquilo que aprendi observando os freis:
a fé não está em controlar o amanhã, mas em confiar que ele virá.
É a fé de quem entende que, se fizer hoje o que precisa ser feito — com ética, cuidado e compromisso — o próximo passo aparece. O cliente certo chega. A oportunidade se apresenta.
Se você está começando a empreender agora, ou está pensando em dar o próximo passo no seu negócio, deixo um conselho objetivo: aprenda mais sobre gestão do que sobre produto.
Ter algo bom para vender é ponto de partida.
Manter uma empresa viva, saudável, com cultura forte, decisões bem fundamentadas e gente certa ao redor… é isso que separa quem dura anos de quem encerra a jornada na primeira crise.
Cuide do caixa como quem cuida do oxigênio.
Entenda seus números.
Invista em marketing com consciência e constância, e não só quando a urgência aperta.
E, acima de tudo, preserve a fé — em Deus, em si mesmo, na sua equipe, no propósito que te fez começar.
Porque empreender é muito mais do que abrir CNPJ e emitir nota.
É gerar impacto, transformar a realidade de pessoas, sustentar sonhos e continuar caminhando mesmo quando você ainda não enxerga com clareza o próximo degrau.
E, no fim das contas, é essa mistura de gestão, estratégia e fé que mantém a chama acesa, mesmo nos dias em que o vento sopra forte do lado contrário.
Você quer que a gente transforme essa coluna também em um carrossel para redes sociais, com pequenos trechos e chamadas mais diretas para o público empreender?
