Região Sul/ES,


Busca

Por Arthur Soffiati

História social do rio Itapemirim (II)

20.07.2021

No âmbito da bacia do Itapemirim, encontravam-se originalmente, e ainda se encontram fragmentos de forma remanescente, campos de altitude, na Serra do Caparaó, Mata Atlântica Estacional Decidual e Semidecidual, Formação Pioneira de Influência Fluvial, Formação Pioneira de Influência Fluviomarinha e Formação Pioneira de Influência Marinha, conforme classificação mais recente (VELOSO, Henrique Pimenta; RANGEL FILHO, Antonio Lourenço Rosa; e LIMA, Jorge Carlos Alves. “Classificação da vegetação brasileira, adaptada a um sistema universal”. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1991).

IMG_256

Pico da Bandeira, exemplo de campo de altitude

Jorge Pedro Pereira Carauta e Elizabeth de Souza Ferreira da Rocha concluem que os remanescentes florestais das margens direita e esquerda do rio Paraíba do Sul revelam composições florísticas nitidamente diferentes. Os da margem esquerda, conforme os autores, guardam semelhanças marcantes com as florestas do Espírito Santo (Conservação da flora no trecho fluminense da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul. “Albertoa” vol. 1, nº 11. Rio de Janeiro: Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, março de 1988). Com efeito, a fatores topográficos, climáticos e hídricos existentes na margem esquerda do rio Paraíba do Sul, onde, no norte-noroeste fluminense, os rios Pomba e Muriaé, se sobressaem como os seus mais importantes afluentes, devem ser creditadas tais particularidades da fisionomia da vegetação nativa. Num polígono delimitado pelos rios Pomba e Itapemirim, desenvolveram-se no passado viçosas florestas estacionais semideciduais de terras baixas.

Na verdade, o rio Paraíba do Sul separa duas províncias geológicas e geomorfológicas. A Serra do Mar sofre grande rebaixamento junto à margem direita do rio. A grande elevação dela permitiu a retenção de água evaporada do mar e retida pela altitude. Assim, na margem direita, a umidade é maior, favorecendo o crescimento de floresta ombrófila (úmida), enquanto que, na margem esquerda, as baixas altitudes retêm menos umidade, criando condições para florestas deciduais e semideciduais.

                As florestas ombrófilas mantêm-se verdes nas estações chuvosas e secas, conservando suas folhas em razão da grande umidade. As florestas estacionais deciduais perdem mais de 50% de suas folhas na estação seca. As semideciduais perdem entre 20% e 50%.

IMG_256

Floresta Estacional Decidual na estação seca

IMG_256

Floresta Estacional Semidecidual

As formações pioneiras de influência fluvial se desenvolvem nas margens de rios e lagoas e em planícies aluviais. A umidade produzida por água doce é tamanha que limita a colonização do ambiente por vegetação de grande porte.

IMG_256

Formação pioneira de influência fluvial alterada pela introdução de espécies exóticas

As formações pioneiras de influência fluviomarinha crescem em estuários, que são ambientes de água salobras formados em foz de rio no mar. Essas formações são conhecidas popularmente como mangue. As plantas que as formam geralmente criaram mecanismos de adaptação a salinidades elevadas, embora temperadas pela água doce do rio. Na foz do rio Itapemirim, existe ainda um fragmento significativo de manguezal que estima-se ter sido maior no passado.